Eu, eu mesma e a Cíntia






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Sexta-feira, Março 30, 2007


Eu sou tão mal recebida no restaurante aqui da esquina... Ele pertence a uma rede que me agrada pelo cardápio, mas que costuma ter preços um tanto salgados e atendimento ruim. Daqueles que nunca me trazem gelo e sempre limão. Há uma bela entrada, de frente para a rua, na unidade em questão. Bem vistosa. Só que, de manhã, quando eu quero tomar um café ou um suco de laranja, ela fica fechada com uma plaquinha dizendo "Entrada pela lateral". Então eu circundo a droga do lugar e não há entrada nenhuma na lateral. Lá no fundo, perto da área de fumantes, tem um espaço pelo qual dá para entrar. Tão inadequado que duvido que qualquer um dos clientes com terno que desjejuam por lá tenham usado essa passagem. Uma vez lá, ok, meu suco vem rápido, é gostoso e tal. Daí pra pagar é outra tensão. Não há um balcão, um caixa ou algo parecido. Tenho que chamar a atenção dos graçons e garçonetes, sempre mais ocupados com os engravatados ou com a reposição do richô de café da manhã, e pedir a conta. A conta vem: 4,50 do suco mais 10%. Odeio os dez por cento nesse tipo de conta. Seja como for, primeiro o cara traz a conta, naquela pastinha de couro, e depois eu tenho que buscar novamente sua atenção para pedir a máquina do cartão de débito. Sei que tudo isso faz parte de uma política da empresa, de um perfil estabelecido de consumidor que ela tem, do tipo que não se importa de pagar 14 reais em um café da manhã e nem tem hora certa para sair. Mas o fato é que eu tenho o direito de consumir. Tenho dinheiro para pagar o que peço, entro lá vestida decentemente, não tem porque passar por isso. Aí alguém me dirá que eu posso simplesmente não consumir lá se não sou bem atendida. O problema é que fica ao lado do meu trabalho e, hoje em especial, não achei nenhum lugar mais perto que vendesse suco de laranja. Que lei de mercado me impede de consumir e ser bem tratada lá dentro??

by Cín


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Sábado, Março 24, 2007


O Textos da Cíntia está aberto para comentários.
Deleitem-se.

by Cín


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Quarta-feira, Março 21, 2007


Scoop é engraçado.
Com efeitos especiais parcos e representação teatral da morte, Woody Allen aborda suavemente relações humanas, problemas pessoais e ética jornalística. Digo suavemente porque não há diálogos profundos discutindo o sentido da vida nem lágrimas excessivas. O foco do filme está mesmo na aventura da jovem estudante de jornalismo Sondra Parks (Scarlett Johansonn) que, na apuração de um grande furo jornalístico, se apaixona pelo suspeito, Peter Lyan (Hugh Jackman, o Wolverine, de X-men). À medida que cresce seu sentimento, enfraquece seu olho crítico.
A personagem é divertida. Bastante dedicada, ela tem a curiosidade arrogante que bons repórteres costumam ter, daquela de achar que tem direito aos segredos dos outros. Adorei a parte em que, com medo do estava descobrindo, ela se desespera e diz que não sabe porque foi se enfiar no jornalismo se toda sua família estava na área da odontologia.
Só não achei legal o fato de ela ter transado com as fontes para conseguir boas matérias...
Não é só de Johansonn que brilha o filme, é fato. Jackmann é um ótimo vilão-mocinho e Allen me fez rir como o mágico medroso que não pára de falar.
Mas é com a loira que eu me identifiquei, obviamente. O que me lembra O diabo veste Prada. Ainda escreverei a respeito por aqui...

by Cín


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Quinta-feira, Março 15, 2007


A vida de jornalista tem seus privilégios, como o de ser convidado para um jantar Gourmet do McDonald¿s e ver, com exclusividade, algo que não chegará às lojas da rede: Mclanches versão black tie (veja fotos).

Ambiente intimista e elegante, meia luz, faqueiro e louça chics e carta de vinhos variada embalaram um anúncio na noite da terça-feira de uma nova parceria com o governo acerca de seus cybercafes - que nada tinha a ver com seus lanches (leia a matéria séria).

Porém, aproveitando a oportunidade para provar à imprensa que sua comida não é trash só por ser fast, a rede norte-americana chamou a chef goiana Maria Luiza Cetenas para preparar um banquete com os mais variados quitutes feitos a partir de ingredientes usados nos seus lanches.

Foram servidos charutinhos de McTasty; balinhas de cheddar envoltas em folhas de cenoura; polpetone de BigMac com chocolate e calda de Coca-cola reduzida; espetinho de frango (McChicken) com molhos doces de limão, maracujá e laranja; soda italiana de maracujá vermelho; millfolhas de maçã caramelizadas; sorvete de calda de chocolate do sundae e raspadinha de morango. Pra fechar a noite, um (Mc)cafezinho, do jeito que a Braun gosta.

O espetáculo, na minha opinião, ficou por conta do mini sanduíche (quase um appetizer) de folhas de batata com McFish, este em forma de uma espécie de suflê de peixe cremoso, saboroso e suave - fenomenal.

Apesar da pompa, o jantar era inegavelmente mcdonáldico. Primeiro, porque tudo tinha aquele gostinho particular do Mc. Segundo, porque, a despeito dos talheres brilhosos, os pratos exigiam uma certa interatividade: segundo Cetenas, comer com as mãos é chic e deve ser incentivado (ao dizer isso, ela nos fez experimentar a calda de Coca com os dedos).

Por fim, apesar de mostrar que é possível ser fast e elegante, a empresa não conseguiu desfazer a fama de trash. O teor calórico dos pratos parecia ser menor, inclusive pela ausência dos pães, mas não muito distante dos Mc-números oferecidos nas lanchonetes.

Mas, ei! Nada de culpar o restaurante por engodar! Segundo seus representantes, não adianta reclamar se você cabula aulas de educação física da faculdade. Como eu.

by Cín


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Quinta-feira, Março 08, 2007


O presidente dos EUA, George W. Bush, vem a São Paulo hoje e vai se hospedar a algumas quadras de distância do meu local de trabalho. Estou morrendo de medo. Não de terroristas: do trânsito. A Berrini já é uma avenida problemática no horário do rush. Com a presença do homem, a coisa tende a piorar em proporções catastróficas. Ruas na região serão fechadas para que ele e sua comitiva transitem pela cidade. As outras ficarão absurdamente cheias... Enquanto ele discute o etanol e a rodada de Doha com Luis Inácio Lula da Silva, o presidente do Brasil, eu estarei no ônibus, ouvindo trabalhadores cansados reclamando, adolescentes indignados atacando o imperialismo estadunidense e coisas piores.
Isso até me distraiu um pouco da comemoração do dia de hoje, 8 de março, Dia Internacional da Mulher.
Há quem reclame do machismo por trás de uma data comemorativa dedicada à figura feminina, já que não há uma para a masculina, mas eu não estou nesse grupo. Eu, que gosto de cerimônias e rituais em geral, adoro também homenagens. Nesse caso específico, adoro o motivo. Ser mulher é muito bom. É bonito, é legal, é gostoso. Sou a favor sim de cavalheirismos em respeito às mulheres, das maravilhosas promoções em comemoração a este dia (como sobremesas grátis em restaurantes).
Aliás, um adendo: neste dia da mulher, devo assumir: cresci e me encaixei em muitos estereótipos que não queria. Faço regime ultimamente (desses com saladas e refigerantes light), apesar de ter jurado que seria livre do jugo da balança; choro regularmente, mesmo fora da TPM, após ter passado tantos anos à seco; fico aguada diante de promoções de sapatos e roupas, mesmo ainda usando tênis; brigo com meu namorado e tenho ciúmes dele, de vez em quando (Ah se a Cíntia menina visse uma coisa dessas...)
Mas ok, faz parte. Apesar de não serem as melhores coisas do mundo, não são tão ruins como imaginei.
Ser mulher é algo que tenho aprendido a cada dia, apesar de essa ser uma das frases masi bregas que eu já postei na minha vida. Viva o cromossomo xis e o corpúsculo de Bahr!
E lá vem Bush estragar a comemoração de hoje. Não que eu seja uma reacionária cheia de argumentos bem fundados contra a administração do rapaz, mas sou contra certas coisas indiscutíveis, como essa política de guerra idiota que ele vem levando em frente. Queria estar vestindo uma camiseta com os dizeres "Bush: war rules... Not!", remetendo a Borat que, apesar de ter me assustado um pouco, tem sua força de protesto.
Mas não. Visto roxo. É uma questão de prioridade: hoje é dia de comer sorvete e sorrir.

by Cín


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